

Pâncreas, vesícula e baço: mitos e verdades sobre a saúde desses órgãos
Todo mundo conhece alguém que já operou a vesícula, mas existe muita desinformação sobre o assunto. Saiba o que é mito, o que é verdade e o que não vale a pena reproduzir quando o assunto é esse.
Quem nunca ouviu uma história de alguém que teve pedra na vesícula ou com problema no pâncreas, que atire a primeira pedra (mas que não seja um cálculo das vias biliares).
O ducto biliar comum une-se ao ducto principal do pâncreas (ducto pancreático) para desembocar na primeira parte do intestino delgado (duodeno) na ampola de Vater.
As vias biliares são os ductos encarregados de conduzir a bile até à vesícula, órgão em que fica armazenada. A bile é uma espécie de “detergente” do organismo, responsável por depurar as gorduras consumidas.
Já o pâncreas é o órgão responsável pela produção de enzimas que ajudam na digestão dos alimentos, e de insulina (entre outros hormônios), regulando os níveis de açúcar no sangue. Está localizado atrás do estômago e entre o baço e o duodeno.
O baço, por sua vez, filtra o nosso sangue de uma forma diferente da filtragem realizada pelos rins. Ele captura vírus, bactérias, células velhas e outros agentes causadores de doenças para eliminá-los do organismo, os elimina, reciclando, assim, o tecido sanguíneo.
O que acontece após a retirada da vesícula?
A colecistectomia, cirurgia para a remoção da vesícula, é o procedimento padrão para quem tem pedras na vesícula. É minimamente invasiva, realizada por vídeolaparoscopia com pequenos cortes.
Ao contrário do que diz a crendice popular, a colecistectomia não tem efeitos colaterais como diarréias crônicas e nem a bile deixará de ser produzida. A única diferença é que em vez de ficar armazenada na vesícula, a bile vai direto para o intestino para eliminar a gordura dos alimentos.
Quem retira a vesícula emagrece ou engorda?
Geralmente não há alteração no peso após a retirada da vesícula.
É possível tratar pedra na vesícula sem operar?
Não, o tratamento cirúrgico é o mais seguro para evitar que os cálculos possam se locomover para outros locais como o pâncreas e causar doenças mais graves, como a pancreatite.
Portanto, ao receber o diagnóstico de cálculo na vesícula, a cirurgia deve ser o próximo passo, essa é a atitude mais responsável. Além disso, o processo inflamatório crônico causado pelas pedras pode levar ao surgimento do câncer de vesícula.
Derivação bílio-digestiva
A Derivação bílio-digestiva é uma forma de reconstrução do trânsito biliar. Usa o ducto hepático comum para a anastomose bílio-digestiva, que é uma conexão cirúrgica entre o ducto biliar comum (colédoco) e o trato digestivo para evitar a obstrução do fluxo biliar. Pode ser feita entre uma alça jejunal e a vesícula biliar ou entre o jejuno e o colédoco.
Lesões císticas pancreáticas e tumores de pâncreas
Os cistos pancreáticos são como bolhas cheias de líquido, que podem ser benignas ou malignas. Muitas vezes não precisam de tratamento, mas em alguns casos podem necessitar de ressecção cirúrgica. O sintoma mais comum de lesões císticas pancreáticas é a dor local, mas outros sintomas digestivos como náuseas, vômitos e perda de peso também podem ocorrer.
Câncer de pâncreas: fatores de risco e prognóstico
O adenocarcinoma é o tipo mais comum e agressivo de câncer pancreático, responsável por mais de 90% dos casos. O tabagismo é o mais proeminente fator de risco para esse tipo de tumor maligno.
A taxa de sobrevivência ao câncer de pâncreas é de cerca de 10% dos casos. Isso se deve pela combinação da detecção difícil e muitas vezes tardia com o fato de serem cânceres agressivos e de rápida progressão. Em casos de diagnóstico precoce a taxa de sobrevivência aumenta para 40%. Quando há metástases a chance de sobrevida chega virtualmente a 0%.
Sintomas comuns de câncer de pâncreas
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Dor no estômago e nas costas;
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Perda de peso sem motivo aparente;
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Má digestão;
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Fezes que flutuam;
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Perda de apetite;
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Icterícia (pele ou olho amarelado);
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Sensação de estar doente;
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Dificuldade de engolir;
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Diagnóstico recente de diabetes.




Pancreatectomia
Esse é o nome da cirurgia de retirada parcial (pancreatectomia distal e segmentar) ou total do pâncreas, em grande parte dos casos a melhor maneira de curar o câncer de pâncreas. Apesar de sua importância, é possível que uma pessoa viva sem o órgão. Este paciente precisará de uma dieta especial e algumas medicações que deverão ser tomadas para o resto da vida.
Esplenectomia: a cirurgia de retirada do baço
Outro órgão sem o qual é possível viver é o baço. A principal indicação da esplenectomia é dada em casos de danos ou rompimento do órgão devido a traumas abdominais, doenças do sangue, cistos e tumores não-malignos ou câncer de baço, um tumor raro e que não pode ser prevenido.
É possível levar uma vida normal sem o baço, pois o fígado pode absorver essa tarefa de renovar os glóbulos vermelhos e outros tecidos linfáticos do corpo colaboram com a função imune do órgão, com a única ressalva de receber algumas vacinas específicas em intervalos regulares.
